sexta-feira, 8 de maio de 2015

Libertadores e suas histórias


A Copa Libertadores da América é o mais tradicional e importante torneio de clubes da América do Sul. Agora Kaká quer incluir também os times dos Estados Unidos. Ela foi criada em 1960, inicialmente com os campeões de sete países, passando depois para 20 e, a partir de 2000, para 32 equipes. Em 2003, 36 e dois anos depois, 37. Em 2006, atingiu 38 participantes. Até 1964 apenas o campeão de cada país participava da competição. Desde 1998 tem as equipes do México. São muitas as histórias. Cada uma mais irreverente que a outra. Até os Anos 90, os jogadores brasileiros acusavam os adversários do uso de doping, em razão da forma feroz que eles participam das jogadas.  Não havia o exame. Os técnicos brasileiros lamentavam que fora difícil incorporar o espírito Libertadores em seus comandados.

Clubes brasileiros foram muito prejudicados pelas arbitragens. Os jogos não eram transmitidos pela televisão e observarmos os maiores absurdos. Os famosos árbitros caseiros entravam em ação. Ganhar no Paraguai quase uma missão impossível. Em 1972, por exemplo, o Atlético foi eliminado pelo Olímpia e Cerro Porteño na primeira fase. Num dos jogos em Assunção (os clubes faziam uma viagem para a disputa dos dois jogos), Fábio Fonseca, presidente do Atlético, se revoltou com o árbitro e tentou entrar em campo. Foi impedido e tirou sua carteira de deputado federal para se impor - foi agredido - e recebeu como resposta das autoridades locais: “Aqui isso não vale nada. Enfia na b......”. O atacante Dario (o Dadá Maravilha) diz que foi expulso, foi ao vestiário, trocou de camisa e disputou o jogo por pelo menos mais uns 20 minutos sem ser percebido pelo árbitro.

O goleiro João Leite revela que em 1978, no jogo contra o Boca, em La Lombonera, o Atlético entrou em campo para fazer o aquecimento e os argentinos colocaram em campo uns 10 pegadores de bola para irritar os atleticanos, chutando a bola a todo instante contra os jogadores e, ainda, quebrando toda a concentração para a partida. Zico, o Galinho de Ouro, fala que o zagueiro chileno Mário Soto, do Cobreloa, disputou a finalíssima contra o Flamengo, em 1981, com uma pedra na mão. Depois Anselmo entrou em campo exclusivamente para dar um golpe no zagueiro. Nem tocou na bola e foi expulso.

Todo jogo tem sua particularidade. É preciso sabedoria para sair vitorioso, especialmente naquela época. Os argentinos por décadas gritaram: “Esta Taça mira e não se toca”. Eles têm 23 títulos e o Brasil, 17.



Em 2013, na campanha vitoriosa do Atlético, fui testemunha de um fato marcante. Após Victor defender o pênalti cobrado por Riascos e o Atlético se classificar para as semifinais, diante do Tijuana, do México, no Independência, fiquei com dificuldades para transmitir meu material de cobertura do jogo para a redação do Estado de Minas. Desci da Tribuna de Imprensa para uma sala que fica entre o vestiário do mandante, no caso o do Atlético, dos árbitros e a sala de imprensa. Fiquei por mais de uma hora tentando sem sucesso transmitir o material. Não chegava o sinal da internet para a conexão. De repente ficaram ao meu lado, conversando Eduardo Maluf, diretor do Atlético; o presidente Alexandre Kalil, o representante da Sul-Americana e, ainda, da CBF. Havia uma comoção entre os atleticanos e os visitantes concordando com tudo. Repórter não tapa os ouvidos. Maluf falou: “Kalil, tudo bem graças a Deus. Até na questão da expulsão de Réver (insultos ao árbitro chileno Patrício Polic depois do pênalti). Nosso amigo aqui (delegado) diz que ele será apenas advertido". Kalil indagou  e o delegado da Sul-Americana e confirmou: “Já falei com o árbitro e ele disse que não foi nada. Apenas uma expulsão de alegria do jogador. Pode contar com ele para o jogo contra o Newell´s Old Boys (semifinal). Abraçaram, combinaram o jantar e saíram para a festa. Uma semana depois, o resultado do julgamento: Réver punido por três jogos. Atuou apenas na finalíssima contra o Olimpia, no Mineirão.

Libertadores | O bicho papão perdeu a rota


Na fase de Grupos da Copa Libertadores, o Boca Juniors foi o dono da festa, com exibições seguras e, acima de tudo, gols. Alcançou 100% de aproveitamento. Pintou ao lado do Tigres e do Corinthians como o grande da primeira fase. Aliás, o que mais impressionou, porque os demais perderam (o Corinthians para o São Paulo, não importa em que circunstâncias) e o Tigres empatou com o River Plate por 2 a 2. Segue como o único invicto. Foi só começar a nova etapa, as oitavas de final, para a máscara cair. Não sei se pior para o Corinthians ou o Boca. Foram golpeados e possivelmente sem condições para levantar. O prazo é limitado. Apenas mais um jogo e diante do mesmo adversário. Assim é a Libertadores. O bicho papão perdeu sua rota e encontrá-la novamente pode ser apenas em 2016. E olhe lá.

Lembro perfeitamente o que aconteceu com o Cruzeiro, em 2011, com Cuca. Foi o melhor da fase de Grupos. Um show com Montillo, Thiago Ribeiro, Allysson, Fábio e outros. Tinha até um tal de Artigoza que fazia seus gols. E o Once Caldas, seria a nova vítima nas oitavas de final. Internamente criou-se o clima do tri. Na arquibancada ele está sempre presente, porque a boca do torcedor vive dos sonhos. Tem de ser realmente desta forma. Há necessidade de se criar barreiras e impedí-lo de chegar aos jogadores e Comissão Técnica. O Cruzeiro venceu em Manizales por 2 a 1, confirmando seu excelente momento e no jogo de volta, em Sete Lagoas, levou de 2 a 0 do Once Caldas, o pior da fase de Grupos. A pancada foi tão forte que precisou de dois anos para se recuperar e sair da enfermidade.  

Se o Corinthians não tiver força - e hoje com o que circula na imprensa (confusão, falta de compromissos, com oito meses dos salários de imagem em atraso, problemas de relacionamento e, ainda, Tite perdido, com o argumento que descobriram como joga sua equipe, mesmo diante de um Guarani, que tecnicamente não é forte, mas sabe jogar Liberadores) - não conseguirá tirar os dois gols de diferença. É o primeiro gigante com a corda no pescoço. Era o melhor do Brasil. O Tigres já tomou o aviso diante do Universitário Sucre, aquele mesmo que o Cruzeiro derrotou por 2 a 0, na rodada final da fase de Grupos. Ele perdeu o primeiro jogo das oitavas, na Bolívia, por 2 a 1 para os mexicanos, mas empatou por 1 a 1, no México. O Tigres foi o primeiro a se garantir nas quartas de final.

E o Boca Juniors? Pior ainda, porque clássico não tem vencedor e ele vai estar diante novamente de historicamente o seu maior rival. Se o River Plate jogar como fez nesta quinta-feira (7/5), no Monumental de Nuñez, para fazer 1 a 0 num jogo com característica apenas de muita correria, o Boca ficará de fora. Terá de fazer dois gols em sua lendária La Bombonera. Mas quando a bola rolar, a lenda não entra em campo. Precisará de buscar sua força no futebol para seguir em frente. Sabe que pode sair nas oitavas para o seu maior inimigo, o que será uma chocada histórica para os torcedores do Boca.

Claro que todos nós temos nossas opiniões, mas é bom ouvir o que os outros falam principalmente aqueles que estão dentro de campo. Primeiro uma colocação que não tinha como fugir da verdade: esta será a maior das Libertadores, com todos os gigantes e tradicionais campeões. Eles podem cair precocemente e a disputa na reta final se envolver apenas os clubes sem tanta tradição. O San Lorenzo, em 2013, foi o campeão, o seu primeiro título. Chegaram outros times sem aquele glamour. Para fechar, o aviso que ouvi de Muricy Ramalho, ainda em janeiro, que passo para vocês: “O River Plate é o melhor time da Argentina para a Libertadores. Tecnicamente está acima do Boa Juniors. Então a Fase de Grupos foi um engodo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Missão complicada para Atlético, Cruzeiro e Corinthians


Os jogos de ida das oitavas de final da Copa Libertadores 2015 demonstraram que foi só aumentar o grau de exigência para Corinthians, Cruzeiro e Atlético para que ficassem evidentes as deficiências. Um futebol com pouca capacidade e, acima de tudo, a qualidade para que possam chegar em frente na competição.  Um pouco antes, vimos pela TV, o Barcelona fazer um estrago diante do Bayern de Munique pela Liga dos Campeões. Como são duas potências da bola, num nível técnico próximo e taticamente muito bem postos, o jogo ficou igual, apesar do Barcelona em casa criar mais chances. Foi então que encontrou em ação o talento e ele fez a diferença nos pés de Messi, novamente um show completo e, em um patamar um pouco inferior, Neymar. Os alemães não aguentaram. Levaram de três, fora o baile, tudo em menos de dez minutos.

Se Corinthians, Atlético e Cruzeiro, claro que no padrão brasileiro, tivessem jogadores mais capacitados, não há dúvidas de que o retrospecto teria sido melhor na noite desta quarta-feira (6/5). O Corinthians levou de 2 a 0 do Guarani, em Assunção; o Cruzeiro, 1 a 0, diante do São Paulo, no Morumbi, e o Atlético, como mandante, empatou por 2 a 2 com o Internacional, no Independência. O Galo foi salvo pela última bola. Coisa de Deus. Nos jogos das oitavas, como mandante, apenas o Universário Sucre, que já foi eliminado pelo Tigres, e o Atlético não conseguiram vencer. Sinal de que o andar da carruagem pode não reservar coisas boas para quem não faz o dever de casa. O outro aviso é que a competição está a cada ano mais diferenciada e os times têm de saber jogar. Todos aqueles de melhores campanhas na fase de Grupos podem sair. Escapou o Tigres e vamos ver agora o Boca Juniors diante do River Plate. É assim a Libertadores. Tem de estar ligado. Jogar mesmo e com o fator sorte. O Estudiantes de La Plata corre perigo diante do Santa Fé, da Colômbia. O resultado favorável de 2 a 1 é perigoso para a volta.

O Corinthians não jogou. Claro que houve a infelicidade de Cássio no primeiro gol dos paraguaios, mas se jogasse com aquela determinação das decisões contra o Once Caldas e São Paulo (este na abertura da fase de Grupos), teria voltado com pelo menos um empate. Foi frio, apático. O Guarani, na primeira fase, fez 2 a 0 no Racing, com a mesma eficiência. Já o Cruzeiro ficou muito acuado. Historicamente, mesmo nos seus grandes momentos nas duas últimas temporadas, quando teve este comportamento, o resultado foi desastroso. Não foi diferente contra o São Paulo. Chegou muito pouco ao gol de Rogério Ceni. Quem ditou as ordens e pediu passagem foi o Tricolor. Mais decisivo, teria feito outros gols. Importante o que destacou Marcelo Oliveira depois da derrota: “Precisamos apresentar algo novo no Mineirão e vencermos”. Agora é esperar o algo novo.

O Atlético fez questão, através de seu técnico, de tornar tudo mais difícil, simplesmente por insistir com Dátolo e, ainda, por falta de opções táticas, num momento em que enfrentou um rival qualificado, marcando firme e, ainda, usando a velocidade. O Inter chegou com o esquema preparado nas mãos. Não improvisou nada e poderia ter voltado até com a vitória. Só Levir ainda não enxergou que Dátolo é um a menos. Tão fraco que foi o único jogador do Atlético que não recebeu marcação. Corria de um lado para o outro e ninguém a acompanhá-lo. Assim sobraram dois ou até três para Lucas Pratto, Thiago Ribeiro, Luan e os outros. A opção foi jogar com os defensores. Prova disso: os gols marcados por Douglas Santos e Leonardo Silva. Coitado do Lucas Pratto. Em 90 minutos, recebeu apenas uma bola em condições reais para marcar.  A passada por Jô. Mas por ser grande e respeitado, o Galo tem condições de chegar no Beira-Rio e vencer. Claro que usando a mística do eu acredito, mas essencial é a bola. O vencedor no Beira-Rio vai crescer muito na Libertadores.


terça-feira, 5 de maio de 2015

No passado trazíamos bananeira que já havia dado cacho

Cruzeiro não obtém êxito na disputa por Lucas Lima, do Santos

O importante é que Futebol mineiro está dando uma virada há algum tempo, graças ao dinamismo dos nossos dirigentes. O Cruzeiro tentou, tentou e não conseguiu trazer o camisa dez para jogar ao lado de De Arrascaeta, mas teve condições de apresentar propostas para que viesse a tão sonhada cereja do bolo. Os números são reais relativos à busca por Lucas Lima, armador do Santos.Trocando em miúdos. Só quem tem bala na agulha pode chegar em São Paulo e colocar os números na mesa, sem qualquer preocupação com uma armação para receber apenas daqui há dez anos. E olhe lá. O Cruzeiro ofereceu 14 milhões de euros (R$ 47,9 milhões) por 50% dos direitos econômicos do atleta, com a primeira parcela de 7 milhões de euros sendo paga à vista. O Peixe teria direito a 10% do valor total da transferência e mais os 20% da mais-valia (lucro obtido com a valorização do jogador durante sua passagem pelo Santos), que seria paga pela Doyen.

Com sede em Malta, o fundo detém 80% dos direitos econômicos de Lucas Lima. O empresário Edson Khodor possui 10% e o Santos tem o restante (10%). Os percentuais negociados seriam os do Peixe (10%) e metade do que pertence à Doyen (40%).

No passado, os clubes do Rio e São Paulo chegavam aqui e levavam, praticamente de graça, todas nossas promessas ou aqueles jogadores de um nível técnico superior. A partir da inauguração do Mineirão, em 1965, a história começou a mudar e concretizou a partir dos Anos 70. Agora, vamos buscar o que há de melhor lá fora. Não mais aquelas bananeiras que já deram cacho e não acrescentam nada. Minas não pode concorrer apenas com o Futebol europeu. Mas em breve quem sabe com o fortalecimento de nossa economia. Isso só para que vocês tenham ideia de como mudaram as coisas no Futebol. Os últimos resultados (conquistas da Libertadores e do Brasileiro)  não foram por acaso. Muitos não querem aceitar, mas podem ler com segurança: competência.


Acredita Cruzeiro

Quem acompanha o Futebol há muitos anos sabe que Marcelo Oliveira tem as peças nas mãos para armar um Cruzeiro forte para o Campeonato Brasileiro. Não vamos encher os olhos para à Libertadores e nem fechá-los totalmente, porque tudo pode acontecer. Em 2013, no Brasil, ninguém apostava em Ricardo Goulart e Everton Ribeiro como jogadores de ponta, de alto nível e o técnico conseguiu colocá-los no patamar de cima, graças a uma estrutura técnica perfeita da equipe. E tem tudo agora, mesmo sem Lucas Lima. O maior adversário e o descrédito. É preciso ter, acima de tudo, confiança, porque a bola de todos está muito nivelada e por baixo.

domingo, 3 de maio de 2015

Com o cantar e o carimbo do Galo

 Jô entrou, garantiu a vitória sobre a Caldense e a conquista do Campeonato Mineiro 2015

Os torcedores do Atlético, Vasco, Santos, Goiás, Operário, Bahia, Santa Cruz,Fortaleza, Remo, Joinville, Internacional, Comercial etc estão comemorando os títulos estaduais. Alguns clubes confirmaram a conquista ao longo dos Campeonatos, com boas atuações e outros na arrancada final, mostrando a grandeza de suas equipes. Outros apontam as vitórias  da tradição, camisa, estrutura, qualidade. Também tenho de usar o etc. Precisamos buscar mais e mais adjetivos para retratar as conquistas. Em Minas ficou claro que a Caldense foi o melhor time. Apresentou um futebol atrativo, convincente, a melhor defesa (chegou a ficar mais de 800 minutos sem levar gol), mas caiu no round final. Assim é o Futebol.  Um título para o Atlético (43º estadual) que fixa seu carimbo de chegada dos últimos anos e, ainda, o cantar com autoridade. Subiu no poleiro na hora certa e, mesmo que num jogo de arbitragem polêmica (a Caldense foi muito prejudicada) cantou alto e bonito pelo que jogou na segunda etapa. Hoje o Atlético foi melhor em Varginha e mereceu o resultado positivo por 2 a 1, quebrando o encanto da Caldense, que por justiça, é quem deveria estar comemorando.

O jogo praticamente não aconteceu na primeira etapa (tivemos as duas bolas nas traves, uma para cada lado), mas teve emoções e pegadas na segunda etapa. Realmente uma decisão. Aí prevaleceu a superioridade técnica do Atlético. Chegou ao gol, um, duas, mais vezes em condições de fazer e aproveitou duas delas. Não vou analisar taticamente o jogo. Que tal time jogou usando linha de quatro, dois no meio apenas defendendo e outras coisas que a gente ouve e observa. O que vi foi marcação de homem a homem e pegadas. Era proibido dar espaços. Esta foi arma da Caldense. Tanto que ameaçou pouco. Jogou com o regulamento nas mãos.

A estrela do burro com sorte

Incrível como é o Futebol. Levir Culpi completa cinco  títulos, sendo o maior vencedor entre os técnicos do Campeonato Mineiro. Com méritos. Ninguém alcança esta façanha apenas por ser um burro com sorte, mas pelo trabalho, capacidade e inteligência. É importante exaltá-lo na jornada vitoriosa de hoje. Não apenas pelo fato de os jogadores decisivos terem entrado na segunda etapa, o que diz tudo numa analise técnica. Thiago Ribeiro e Jô saíram do banco para garantir o título. Mas o técnico fez mais. Nos treinamentos com bola, durante a semana, ele preparou Giovanni Augusto e Jô entre os titulares. Muitos estranharam, mas foram a chave para a vitória. Agora vocês viram porque o Atlético tenta garantir Giovanni Augusto. Ele tem técnica, sabe jogar, mas não vou apontá-lo como diferenciado. Apenas diferente, como outros que tem a arte no toque de bola.



Para que o Atlético crescesse no jogo, o torcedor do Galo teve de conviver mais uma vez com a cota de sofrimento, por teimosia do técnico, ao insistir com Dátolo. Ele deveria ter saído no intervalo e ficou os 90 minutos para felicidade dos adversários. Voltou a perder um gol incrível, como nos 2 a 0 contra o Flamengo, no ano passado (Copa do Brasil), no Maracanã e conseguiu durante toda a partida apenas um lance bem trabalhado, ao cruzar para a cabeçada de Luan, ainda na primeira etapa. No resto, complicou. Para dar maior confiança ao Internacional, deve iniciar na quarta-feira (6/5) pela  Copa Libertadores. Mas um aviso: o burro pode não ter sorte e o barco afundar. E pelo que sei burros não conseguem nadar. São levados pela correnteza e ela pode vir forte se o Galo fracassar na Libertadores. O Inter conhece, melhor do que ninguém, qual é a produção de Dátolo. Para começar a se dar bem é armar um esquema em cima dele. Dura realidade.
 
No entanto, pode comemorar massa atleticana. Também comemore torcida da Caldense. O título é de Poços de Caldas. Estejam certos de que no coração dos mineiros, 2015 ficará registrado como o ano mágico da Veterana.

sábado, 2 de maio de 2015

Lesões, um desafio cada dia maior

Recebi o artigo do prof. Francisco Ferreira, que conheço há mais de 20 anos, pelos trabalhos no Cruzeiro, Minas TC e exterior. Muito interessante, especialmente para os clubes que estão envolvidos com as disputas em alto nível.

"Acompanhando pela imprensa os casos de lesões recorrentes dos atletas Alisson (Cruzeiro) e Guilherme (Atlético), me lembrei de um artigo que escrevi para a Universidade do Futebol em Maio de 2013: (http://universidadedofutebol.com.br/Artigo/15518/Uma-visao-holistica-do-futebol), em que cito a experiência de Napoli e Juventus da Itália que conseguiram reduzir drasticamente os índices de lesões em seus atletas de um modo inusitado. Creio que não custa tentar uma abordagem junto aos atletas para verificar se poderia ser este o caso. Vejam abaixo o trecho do artigo.

Abstinência sexual antes dos jogos (Case Italiano)

Alguns clubes italianos estão instruindo seus atletas a evitarem atividade sexual 48 horas antes dos jogos como forma de prevenir lesões. Esta norma tem como objetivo muito mais a prevenção das distensões musculares, contrações ou inflamações do que a cura.

Devido ou não a esta medida, o plantel do Napoli foi pouco afetado por lesões na última temporada: Apenas 50 casos, contra 260 do Milan, 188 da Inter, ou 184 da Roma. Horários rígidos para tomar refeições, ingerir alimentos orgânicos, não beber álcool e dormir sempre que se queira são outras das regras sugeridas pela equipe médica.

O Napoli foi o segundo clube na última temporada a ter menos jogadores afastados por lesão, ficando atrás apenas da Juventus. O curioso é que os dois clubes foram campeões na Itália. O primeiro faturou a Copa Nacional e o segundo faturou a Séria A.

Além da notável filosofia de prevenção compartilhada por toda a comissão técnica, há de se considerar o elevado senso de profissionalismo dos atletas para seguirem à risca as recomendações médicas mesmo quando estão de folga.

A atividade sexual causa, no homem, o inchaço da próstata, o que pode interferir na circulação sanguínea desta região do corpo chamada Core (núcleo), onde se localiza o centro de conexões musculares responsáveis por estabilizar coluna, pélvis e dorso. É, por assim dizer, o centro de força, o centro de gravidade e o centro de sustentação, tendo influencia em todo o resto do corpo.

Assim, o fato de os dois clubes que foram campeões, Juventus e Nápoles, terem sido também os que menos lesões tiveram pode, também, dizer alguma coisa sobre a importância destas medidas profiláticas.

Lesões

Um dos grandes desafios enfrentados pelos clubes de futebol são as lesões inerentes ao esporte, que podem afastar por longos períodos atletas importantes e que recebem altos salários, causando prejuízo técnico e financeiro ao clube. Daí a grande importância de se investir na prevenção de lesões.

Algumas técnicas alternativas relativamente novas tem se mostrado eficientes na abordagem pelo conceito das cadeias de músculos e fáscias musculares. Esta interconexão afirma o caráter global/sistêmico ao se tratar, por exemplo, algum ponto do tronco, mas, que pode repercutir em uma dor no membro inferior. Dentre essas novas tecnologias e metodologias que poderiam ser adotadas, cito: a Mio Modulação Analítica (MMA), a Liberação Mio-Fascial e a Posturografia Dinâmica Computador". 


Francisco A Ferreira 
Gestor Esportivo - CREF 1451/G-MG
Centro de Excelência em Performance de Futebol
+(55) (31) 9104-9620 / 3444-4724

Decisões

Que tenhamos amanhã, pelo Brasil, com destaque para Minas Gerais, grandes campeões. Que os títulos fiquem nas mãos dos melhores.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Adílson dá as ordens e o jogador não entende nada


Em 2009, o Cruzeiro estava em alta. Tanto que chegou à finalíssima da Copa Libertadores e, depois, a classificação para a competição continental em 2010 . No ano anterior, marcou a campanha com goleada em cima do Atlético e com belas atuações. O técnico Adílson Batista estava com tudo. Aproveitava o Campeonato Mineiro para fazer as experiências. Tinha muito respaldo. Mas confidenciava que havia jogadores no “mundo da lua”. Fazia questão de exaltar dois como bons exemplos de visão de jogo: Jonathan e Ramires. Nas conversas reservadas dizia que ambos faziam uma leitura perfeita dos jogos em condições até de ajudar os companheiros, aproveitando espaços e, consequentemente, o técnico no esquema tático na organização da equipe dentro de campo. No mundo da lua ele observou dois, que vou omitir os nomes, porque ainda estão em atividade. Sobre um deles, dizia: “Era só um avião passar próximo a Toca da Raposa para ele esquecer que estava em treinamento e se ligar na descida do aparelho em direção ao aeroporto da Pampulha”. Lá é uma das rotas para a aterrissagem.

Já o outro jogador, em uma segunda-feira, com o início da preparação para os jogos de domingo, ele o chamou e disse que estava nos seus planos que ele começasse como titular. O jogo seria contra o América. Fez todas as recomendações possíveis, já em cima das características do adversário. Foram dois coletivos e constatou que, a exemplo de outros momentos, seu escolhido estava perdido. Mas insistia nas orientações. Queria evitar que no domingo o time não encaixasse como ele pretendia e naturalmente receberia as críticas de burro por parte do torcedor e de professor Pardal da mídia. E dos adversários, dentro do próprio Clube, de que é o técnico de apenas um esquema.

No sábado, como um ex-boleiro e zagueiro vencedor, que ficou mais de 15 anos correndo atrás da bola, depois da preparação chamou o jogador e perguntou-lhe: “Tudo certo, preparado para começar amanhã?” Para Adílson, esta aproximação é importante para dar maior confiança. Não é só escalar. Tem de falar, falar e o jogador estar firme. Seu escolhido respondeu positivamente. O que era de se esperar, já que estava convicto de sua capacidade, muitas vezes pouco importando com as recomendações táticas, com o argumento de que a bola vai chegar e ele revolver a seu modo, como já havia acontecido em outras situações. Mas Adílson insistiu e questionou. Quero que você me explique como será seu posicionamento. O jogador então disse: “Vou cair pelas pontas, aproveitar principalmente o lado esquerdo deles e ficar em condições de definir muitas jogadas”. Como não era nada do que o técnico havia orientado, a sua resposta foi apenas baixar a cabeça e responder: “Acho que você ficará como opção para amanhã”. Dois meses depois, aquela esperança já não estava mais na Toca. O Cruzeiro conseguiu uma negociação que lhe ajudou muito, porque trouxe na época um dos zagueiros mais importantes de sua história recente.