quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os cinco da Libertadores - Corinthians



Dentro de 14 dias, na primeira quarta-feira de fevereiro, o Corinthians marcará a estreia do Futebol brasileiro na 56ª edição da Copa Libertadores, enfrentando o Once Caldas, jogo de ida da Pré-Libertadores. A previsão é de que será um drama para ambos, já que o objetivo é chegar à Fase de Grupos. O crescimento técnico do Futebol colombiano, dando maior cobertura à categoria de base e importando bons treinadores, que levaram uma nova filosofia ao País, especialmente no que se tange a marcação, fizeram com que tenhamos hoje uma nova força sul-americana. Tanto de clubes como de Seleção. O último Mundial diz tudo. Um País que consegue mostrar o talento de um jogador como James Rodriguez tem de ser levado a sério. Agora não tenta encantar apenas no toque de bola, como nos 5 a 0 histórico sobre a Argentina, em Buenos Aires, nas Eliminatórias de 1994. Também defende.

Complicou para o Corinthians. Também para todos os outros brasileiros que terão colombianos pela frente. Serão muito mais exigidos. Antes uma eliminação pelos colombianos era uma humilhação. Hoje nem tanto. Só que no caso do Corinthians há o pesadelo do Tolima, na Pré de 2011, o que faz o espírito de Libertadores estar integrado ao Timão. A competição não poderia começar de melhor forma. Serão dois jogos dramáticos e possivelmente decididos nos detalhes.

O Once Caldas está na Fase Preliminar por ter sido o melhor colombiano na soma de pontos dos dois turnos do Campeonato Nacional. Não fez grandes contratações. O argumento do presidente Rafael Castañeda tem alguma lógica: “Nomes não são garantias da vitória”. Diz que trabalha em cima de um orçamento e mandou o seu recado: “ Se não assustamos com o Boca Juniors, em 2004 (ano do título do Once Caldas na Libertadores) porque vamos assustar com o Corinthians”.

Não há dúvidas de que o Corinthians está fortalecido em todos os setores. Agora terá uma dupla de zaga com Edu Dracena e Gil, que impõe respeito, unindo experiência com a força; um meio campo ágil e eficiente, com Elias e Cristian no desarme e, na frente, Guerreiro dispensa comentários. Se houver a engrenagem, sai de baixo, este Corinthians poderá atropelar novamente no comando de Tite. Agora é esperar a bola rolar. 

Pelo que conheço de Futebol, se o Corinthians eliminar o Once Caldas entra na lista dos que podem levar o título. Terá todos os requisitos possíveis, além da massa torcedora.






terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Cruzeiro desconfia dos colombianos

Apesar da desconfiança celeste, James Rodriguez teve excelente atuação na Copa do Mundo

No Futebol há muitas superstições. Os clubes trabalham com os números, mas também analisam os retrospectos para que possam fazer seus investimentos. Se um jogador foi bem diante do rival tem grandes chances de ser contratado. Esta é uma das razões por Riascos estar hoje no Cruzeiro e Luan ser jogador do Galo. Quando ele ainda jogava pela Ponte fez uma boa partida contra os celestes. Chamou à atenção. É assim o mundo a bola.

No outro extremo encontramos as desconfianças. No Cruzeiro, por exemplo, há algum tempo se fala que é preciso ter muito cuidado com os colombianos, que chegam ao Clube em alta e depois são um fiasco. Apenas Aristizábal fugiu da regra, já que fez 54 jogos e marcou 28 gols, superado apenas pelo argentino Sorín, com  126 atuações, mas fez 18 gols. No passado, de 1928 a 42, o Cruzeiro teve também o espanhol Carazzo, que fez  43 gols em 114 jogos, mas também em consequência dos 14 anos como atleta no Barro Preto.

A maior decepção foi Freddy Rincón. Chegou com toda a pompa. Disputou 22 jogos e fez um gol. Não deixou saudades. Outra lamentação; Viveros. O presidente da época, Alvimar de Oliveira Costa acreditava que o volante seria um novo fenômeno no Futebol brasileiro. Foram investidos US$ 5 milhões, maior volume de dinheiro para a compra de um colombiano e o resultado foi longe do esperado: seis gols em 63 jogos. Viveros dizia que o que encantava era a comida da Toca. Estava sempre com excesso de peso.  Dois outros colombianos que fracassaram: Reina e Diego Arias.

Em contra partida, a expectativa é alta com relação a argentinos e uruguaios, com base nos números. São os uruguaios os que mais vestiram a camisa celeste entre os estrangeiros: 165 jogos, com dez jogadores. Uma das razões para o investimento em De Arrascaeta. Mas foram os argentinos que mais atuaram, 447 vezes, com sete jogadores, sendo que encabeçam a lista, Perfumo, com 141 atuações; Sorín, com 127 e Montillo, com 122.






segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Agora vamos bailar a moda estrangeira

De Arrascaeta chega ao Cruzeiro e reforça o time de estrangeiros no Futebol mineiro

Nunca o Futebol mineiro foi invadido por tantos estrangeiros, especialmente jogadores dos países vizinhos de língua espanhola, como para a temporada 2015. As perspectivas são boas. Agora vamos bailar a moda deles. Claro que nossa escola vai continuar absoluta. Mas fica claro que o espaço foi aberto e os que chegam querem aproveitar. Mais uma confirmação de que há falhas por aqui (todos os Estados) e precisamos preencher com os importados. Em outras épocas, eles já vieram.  Não como agora.  

O Cruzeiro acaba de confirmar a contratação do uruguaio De Arrascaeta.  Antes já havia acertado com o camaronês Joel, um atacante que faz parte dos planos de Marcelo Oliveira para ser usado até na vaga de Ricardo Goulart; o chileno Felipe Seymour e o colombiano Riascos. Tem ainda lugar para mais um estrangeiro. Com estes novos profissionais, o grupo está praticamente pronto para a temporada. Dizem na Toca que são peças pontuais. O Cruzeiro não se preocupou com quantidade. Diz que foi buscar qualidade. Mas técnica apurada e com ótimas perspectivas aparece apenas Arrascaeta. É uma promessa uruguaia de 21 anos e que terá sua primeira experiência internacional, numa escola que os vizinhos admiram e não negam que é um orgulho fazer parte dela. De todos eles, Arrascaeta é o que apresenta também o melhor momento. Nem Riascos tem jogado como em 2013 no Tijuana, quando deu trabalho para os adversários na Copa Libertadores, especialmente o Atlético, por ser muito arisco. Seu jogo é simples. Toda bola ele parte para o gol. 

Já o Atlético foi buscar mais um argentino, o atacante Lucas Pratto para se juntar a Dátolo. Agora são dois portenhos na Cidade do Galo, que podem dar uma nova cadência ao time. Na última sexta-feira fui ao treinamento e observei Pratto, que acompanho há dois anos, desde que o São Paulo manifestou interesse em sua contratação. Reafirmou o que penso: é um jogador de área, que se posiciona pela direita e a esquerda, a espera dos cruzamentos para concluir. Não só usando a cabeça. Bate com os dois pés. É mais pesado do que Jô, mas com a bola, a agilidade do argentino é maior. Define sem atropelos. Foram mais de duas horas de treinamentos específicos com bola e, depois, um coletivo. Deu para ver bem. Fiz a questão de ficar atendo a um item: finalizações. Anotei seis para o Pratto e o Jô. O argentino guardou quatro vezes e Jô nenhuma. Batia e levava às mãos a cabeça pela falta de precisão. Ou de sorte.






sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A primeira obra prima de Reinaldo


José Reinaldo de Lima foi espetacular. Não por acaso, a torcida do Galo o exalta ao vê-lo pelas ruas, estádios e mundo agora :” Rei, Rei, Rei”. Quem teve o privilégio de acompanhar seu futebol sabe perfeitamente que faltam adjetivos para qualificar os seus momentos geniais. Era completo, apesar da estatura mediana, mas com toque refinado. Foi peça importante no esquema do técnico Cláudio Coutinho, na Seleção Brasileira, na Copa de 1978, na Argentina. E só não foi um dos escolhidos por Telê Santana para 1982, na Espanha, por dois fatores: as constantes contusões, devido à violência dos adversários para contê-lo e a rebeldia nos gestos e palavras. Era firme em suas convicções, algumas não aceitadas para o período da época, porque vivíamos em um regime miliar. Sua comemoração no momento do gol com o punho da mão esquerda fechado, como os militantes negros do movimento dos Panteras Negras dos Estados Unidos, não agradava o comando Militar e lhe foi sugerido que mudasse a forma de comemorar os gols. Não atendeu. Em 1985, as portas foram fechadas para ele com a camisa amarela, no momento em que Tancredo Neves anunciava um novo tempo para o Brasil: a Nova República, o fim do voto indireto para a escolha presidencial.

Quando Reinaldo surgiu em 1971, na equipe juvenil do Galo, o Clube estava em alta pelo título Nacional de 1971 e pela primeira vez participava da Copa Libertadores. Já não exaltava os ídolos do passado como Mário de Castro, Nívio, Lauro, Zé do Monte, Kafunga, Ubaldo, o dos gols espiritas, Guará etc. Nem os mais recentes, que haviam conquistado o título nacional, tendo Dario Peito de Aço, o Dadá, na linha de frente. Na época, era comum os jogos amistosos pelo País, principalmente para testar as jovens promessas e ganhar uma boa cota. Em 1973, num deles, em Cuiabá, contra o Mixto, Reinaldo estava presente, com apenas 16 anos, ao lado de jogadores mais rodados, como Mazurkweski, Normandes, Zé Maria, Danival, também começando; Hilton Brunis, Arlem, Lola, Pedrilho, Campos e Romeu. Os companheiros pouco ligaram para o jovem talento. Foi ignorado. Reinaldo lembra perfeitamente o que aconteceu na segunda etapa: “Fiz uma, duas boas jogadas e eles ficavam pensando. Será que o Paulo Benigno  (técnico) não vai tirá-lo”. De repente, a bola chega aos seus pés e ele fez o que o mundo aplaudiu de pé anos seguintes: uma jogada com a assinatura dos gênios. Com toques sutis, foi superando a defesa do Mixto. Chegou na cara do gol, driblou também o goleiro e tocou. Uma obra de primeira. O estádio aplaudiu de pé. Reinaldo ficou olhando para os companheiros e eles continuaram indiferentes. “Mas, o Luiz Carlos Beleza, aquele que jogou no América-MG e também no Santos, além do zagueiro Estevam, que também jogou no Peixe, ficaram tão encantados que me carregaram para espanto dos meus companheiros”.

Assim começou a obra de um dos imortais da bola e do Futebol mineiro, que só pode ser comparada a dois outros monstros: Tostão e Dirceu Lopes.Sua grandeza está presente nos números. Tem 475 jogos pelo Atlético e 255 gols. Não é necessário acrescentar mais nada.






terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cruzeiro está mexendo muito. É perigoso

Marcelo Oliveira terá outro time para comandar

O Cruzeiro começou o ano confirmando que a base seria mantida e que não haveria muitas mudanças. Porém, foram embora jogadores importantes. São seis campeões, entre eles, Nilton, Egídio, Ricardo Goulart, Marcelo Moreno e porque não também Borges. No ano passado ele não aconteceu, mas é um jogador experiente e de área. Naturalmente vai mostrar serviço em um novo clube. Dagoberto deve encontrar um novo caminho. Fica claro que a confiança está na base, mas quando se mexe muito na estrutura de uma equipe vencedora, mesmo que ela apresente alguns vícios que precisam ser eliminados e que são explorados pelos adversários, é muito perigoso. O presidente Gilvan de Pinho Tavares sabe perfeitamente o que está fazendo. Seus assistentes, idem. Marcelo Oliveira não é bobo. O Cruzeiro terá um time ainda mais veloz para 2015. As características dos jogadores que estão na Toca e dos que chegaram indicam que veremos uma equipe jogando ainda mais no sentido do gol, com Marquinhos, Willian, Joel, Alisson, Gudivan, claro Éverton Ribeiro e o chileno Felipe Seymour. Caso se confirme a cirurgia de Dedé será outro desfalque. Aguardem.

No Galo, Guilherme fica  

Já o Atlético, sem Tardelli, que divulguei no ano passado, apesar do Clube ainda não ter confirmado a venda, tenta ajustar as peças. Pelas opções de Levir Culpi não há muito o que fazer.  A estrutura é boa. Trouxe Lucas Pratto para dar um maior poder ofensivo e estão reincorporados Jô, André e Emerson Conceição. Os três, evidente, que estão no grupo para manter a forma e em breve uma negociação. Uma mercadoria que tem valor não se pode deixar à vontade por aí. Tem de estar no jogo. Ou melhor, nos treinamentos diários e de repente até o aproveitamento de um deles. Futebol é assim. Os indisciplinados acabaram muitas vezes sendo privilegiados. Ganham sem nenhum esforço (de novembro a janeiro não fizeram nada) e de repente podem até estar novamente com a camisa do Galo. Vitinho não foi confirmado por valores. Dentro das condições do Atlético vem naturalmente. Quem não quer um jogador agudo como ele. E o Atlético sabe que joga para o gol. Exclusivamente para o gol. E Vitinho é encaixe no esquema. Agora, quanto a Guilherme, fica claro que ele fica. As partes vão chegar a um acordo. Sempre é o bendito money que está na frente. O mais importante de tudo, vejam bem, é que Guilherme quer continuar. Eu o conheço bem. Desde a base do Cruzeiro. Mesmo não tendo a informação oficial do jogador, posso assinar: ele fica.   






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Palmeiras, o que mais investiu. Mas dará certo?

CESAR GRECO/AG PALMEIRAS/DIVULGAÇÃO


No Futebol brasileiro, o Palmeiras é o time que mais contratou. Bem parecido com o que acontecia com o Futebol mineiro até o começo desta década. Era importante mostrar para o torcedor que o clube estava investindo, mesmo que buscando quantidade e raramente qualidade. Os resultados foram desastrosos. O time paulista, que no passado foi o Palestra Itália, trocou dentro e fora de campo. José Carlos Brunoro deu lugar a Alexandre Mattos. Mexeu também em outras peças de apoio ao futebol, como Dorival Júnior por Oswaldo de Oliveira. Dentro de campo também será um time com nova cara. Os laterais Lucas e João Paulo; o zagueiro Vitor Hugo; os volantes Amaral, Gabriel e Andrei Girotto, o armador Zé Roberto e os atacantes Dudu e Leandro Pereira. Estes são alguns dos que chegam, já que pretende mais quatro. Réver, zagueiro do Galo, um deles. Os que já estão no Parque Antártica não vou chamá-los de reforços. Nem Zé Roberto. O que pode ser considerado uma peça diferenciada, pela velocidade e disposição é Dudu. E olhe lá. O Palmeiras corre o risco de bater na trave novamente na luta contra o rebaixamento, como destacou um Palmeirense, recentemente numa festa em Guaratinguetá: “Não dá para entender meu clube. Está contratando o que não deu certo no Botafogo. Se são jogadores capacitados, o time deles não teria sido rebaixado”. Tem lógica. Acontece é que os jogadores (Lucas e Gabriel) podem estar com o novo espírito e ter um rendimento acima do esperado e o palmeirense vai agradecer.

Cheio de gatos

A Copa São Paulo já sofreu algumas mudanças, a partir do momento que foi invadida por times de empresários e jogadores fora da idade limite de 20 anos, 11 meses e 30 dias. Não podiam jogar aqueles com 21 anos completados. Mas no Brasil sempre se dá um jeitinho. Agora, a competição participam jogadores nascidos de 1995 a 1999, já que temos a Copa do Brasil sub- 20 apoiada pela CBF, cujo atual campeão é o Internacional. O vice ficou para o Vitória.  É nítido que a Copinha tem apresentado um nível técnico bom. Dá para acreditar que ali está um futuro melhor para o Futebol brasileiro. Contudo, está certo de que os gatos continuam presentes. Tem cada marmanjo com estrutura que os identificam com idades de até 25 anos. Não podemos contestar a genética. Claro que há pessoas que nem completaram 17 anos e já passaram dos dois metros de altura, mas dizer que é normal encontrar em praticamente todas as equipes jogadores com a barba formada, entrada para a calvície, dizendo que têm menos de 19 anos, é fazer questão de não enxergar a verdade. Por estas e outras é que estamos batendo palmas para o futebol de outros países. Daqui há alguns anos, vamos ter de ouvir o que o técnico Emerson Leão falou para Carlos Alberto, um lateral que fez sucesso nos clubes do Sul do País, depois também no Corinthians e que rodou pelo Atlético-MG: “Nunca vi um garotão de 20 anos em 24 horas virar vovô”. Ele fez o gato de cinco anos. Outros casos: Sandro Hiroshi, Fernando Baiano, Rodrigo Gral, Emerson Sheik, Elkeson, Leandro Lima e outros. E ninguém sabia. Será? 






sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

71, o rei da criação e irreverência


Outro dia encontrei com Jair Bala, um dos maiores craques que vi em ação e merecidamente o melhor de todos os tempos do América-MG. Conversamos muito sobre as histórias do Futebol. Uma delas tenho de repassar para vocês. Aconteceu em 1972, no Paysandu, de Belém do Pará, onde ele encerrou a carreira. O técnico era João Avelino, o irreverente 71. O apelido diz tudo. Fazia questão de formar uma roda para contar uma das suas. Hoje tenho certeza de que o técnico sabia muito pouco de bola ou nada. Conseguia impor graças ao seu estilo gozador. Sabia usar as palavras, sem ofender. Tanto que era muito admirado pelos jogadores e conseguia unir o grupo em cima de seus objetivos. Jair lembra que o jogo do Paysandu era contra o Tuna Luso, terceiro time do Pará (o outro considerado grande é o Remo) pelo Campeonato Estadual e o seu time perdeu o primeiro tempo por 1 a 0. 71 ficou possesso. No intervalo abriu seu pedestal de conhecimentos, pouca coisa relativa ao que havia acontecido na primeira etapa, mas o objetivo foi alcançado. O Paysandu virou. Enquanto ele foi do Papão da Curuzu, ninguém mais esqueceu do que falou com Paulão, um negro de quase dois metros de altura e que se impunha pelo estilo forte de jogar. Era respeitado em qualquer terrreiro.

Como o time não jogou nada na primeira etapa, 71 esperou alguns instantes e começou a falar no vestiário. “Você (Jair não lembra o nome do goleiro) não está jogando nada. Parece uma borboleta. É muita delicadeza para bater na bola. Este não é comportamento de goleiro. Tem de sair, socar, tirar a bola da área, longe para não permitir o rebote”. Criticou os zagueiros, que estavam perdidos: “Vocês ainda não entraram em campo. Estão viajando para onde?”. Seguiu na mesma linha para os laterais. Chegou a Jair Bala e não se conteve: “Olha, de Bala você não tem nada. Parece uma bala docinha para chutar. Mostre que é jogador seu Jair. É ou não uma bala calibre 38. Está enganando para quem foi comparado com Pelé; Assim não dá”. 

Ivair, que foi craque na Portuguesa, a Lusa, e um dos jogadores que participaram do fracasso da Seleção Brasileira em 1966, na Inglaterra, era chamado de Príncipe, com justiça, porque tinha um estilo diferenciado para jogar. Também passava por lá, vivendo seus últimos instantes no Futebol. 71 não se conteve: “Ivair, você não tem nada de príncipe. Príncipe negro que eu conheço vive na África. Vai jogar Futebol meu caro. Não me engana mais”. O melhor reservou para o volante Paulão. O jogador estava sentado, atento as palavras do mestre da irreverência, quando ouviu: “Paulão, pode ir tomar banho”. "Mas, professor, eu já tomei. Quando voltamos de campo fui direto para o chuveiro". 71 insistiu. E Paulão não gostou: “Quem vai tomar banho é o senhor. Tô voltando para o campo”. E caminhou em direção do técnico. 71 saiu a contendo: “É que você está muito suado e precisa refrescar. Tô precisando muito de você na segunda etapa. Precisa estar mais leve”.