sábado, 23 de maio de 2015

Libertadores 1976 - O Cruzeiro vencia por 4 a 1 e Más pediu: “Não façam mais gols”.

No dia 21 de julho de 1976, no Mineirão, Cruzeiro e River Plate disputaram a primeira partida da finalíssima da Copa Libertadores. Outro momento histórico celeste contra os argentinos, com a goleada por 4 a 1. Naquele tempo, saldo de gols não era usado para o critério de desempate. Uma equipe poderia ganhar por 10 a 0, perder o outro jogo por 1 a 0 e haveria a “negra”, terceira partida. Foi exatamente o que aconteceu. Em Buenos Aires, o River venceu por 2 a 1 e os times foram para a decisão no estádio Nacional de Santiago do Chile, com vitória cruzeirense por 3 a 2, com aquele gol magistral de Joãozinho. O técnico Zezé Moreira, quem está no futebol sabe desta história, não gostou da atitude do ponta e no vestiário o repreendeu: “O Nelinho é quem deveria cobrar a falta. Não faça isso mais seu moleque”. Como era um disciplinador e se fez no futebol por suas atitudes firmes, do túmulo seu espírito deve estar ainda se remoendo, porque foi contrariado em suas ordens.

 
 Na goleada por 4 a 1, no Mineirão, relembra Nelinho (ele fez o primeiro gol), o dialogo que teve com Más, um respeitado ponta argentino que fez história pela habilidade. “Quando fizemos o quarto gol, o Más, que eu já conhecia de outros jogos, pediu para que eu falasse com meu time para não fazer mais gols. O questionei, dizendo que não estava entendendo nada. Aí ele justificou que se o Cruzeiro fizesse mais um gol, o River nem poderia descer em Buenos Aires, devido à revolta dos torcedores. Não tive como dizer a ele que o problema era deles e não nosso”. Por ironia do destino, Más acabou sendo atendido, já que o Cruzeiro não fez mais gols naquela partida, mas manteve o rítmo para chegar ao quinto e se possível ao sexto.  Tinha uma máquina.

A experiência de mais de 600 jogos, grandes decisões, um título da Libertadores de 1976, duas Copas do Mundo, 1974 e 78, colocam Manoel Rezende de Mattos Cabral (foi também técnico do Atlétco em 1993), de 64 anos, no pedestal para falar do futebol, especialmente decisões. E tem um recado para os cruzeirenses: “A classificação para as semifinais da Libertadores está em aberto. Pode dar Cruzeiro ou River, pelo que jogaram na primeira partida. O Cruzeiro tem de esquecer o placar de 1 a 0 e jogar com a mesma determinação”.
        https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhsQutNbp950B-swTvBfRjmwEVgB3KkG0rJ2LbrZSZakw6-qLtoHMpRTZFXwFMXz0STgVcBI0734OPThV-hNTCqDzjdMD7GQParQhdEI78PNiLz85BUBRfm_aK3Bs2_IMyuH4sh6IsycZI/s1600/logo-kafua+(1).jpg

Nelinho destaca que os times se nivelam tecnicamente: “O futebol hoje é feito de determinação, correria e briga pela bola. É o básico. Quando você tem a técnica, melhor ainda para um drible, uma jogada diferenciada. No mais é jogar 90 minutos pela bola. Este não deve ser o comportamento do Cruzeiro apenas na quarta-feira. Tem de ser sempre. Também no Campeonato Brasileiro. Usar a força, ir com tudo. Infelizmente o futebol mudou para nós que gostamos do espetáculo. Somos obrigados a ver Barcelona e Bayern. Por aqui, refiro-me a todo o País, está muito fraco. O jogo é outro. O que era o diferencial em minha época, a arte, ficou em segundo plano”.

No mais, ele dá o seu último recado: “Sorte Marcelo, você merece”.

Um comentário: